terça-feira, 2 de setembro de 2008

Carlos Drumond de Andrade











Ontem

Até hoje perplexo
ante o que murchou
e não eram pétalas.

De como este banco
não reteve forma,
cor ou lembrança.

Nem esta ávore
balança o galho
que balançava.

Tudo foi breve
e definitivo.
Eis está gravado

não no ar,em mim,
que por minha vez
escrevo,dissipo.



Fragilidade

Este verso apenas um arabesco
em torno do elemento essencial_inatingível.
Fogem nuvens de verão,passam aves,navios,ondas,
e teu rosto é quase um espelho onde brinca o incerto movimento

ai!já brincou quando se fez imóvel,quantidades e quantidades
de sonose deparam sobre a terra esfacelada.
Não mais o deixe de explicar,e múltiplas palavras em feixe
subindo,e o espírito que escolhe,o olho que visista,a música
feita de depurações e depurações,a delicada modelagem
de um cristal de mil suspiros límpidos e frígidos não mais
que um arabesco,apenas um arabesco
abraça as coisas em reduzi-las.